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A Democracia do Luxo

dezembro 4, 2014 por InVoga - Nenhum Comentário

O momento atual do mercado de luxo brasileiro é assinalado por perspectivas de expansão para os conglomerados mundiais e suas grandes marcas. O crescimento deste setor nas duas últimas décadas, decorrente do alargamento da base de clientes que acabou gerando um movimento de “democratização do Luxo”, onde alguns bens, antes reservados às elites, estão sendo consumidos por um público cada vez maior e diversificado, ainda que ocasionalmente. Em números, estima-se que, em 2014, o faturamento deste braço da economia aumente de 10% a 15%, algo em torno de R$ 26 bilhões.

Conhecidas em âmbito global, amadas e desejadas, as grandes marcas de luxo carregam consigo todo um conjunto de valores que vão muito além dos valores tradicionais dos produtos de luxo, como o preço elevado, raridade, tradição e o “savoir faire”, e esta qualidade mutável desse consumo específico se relaciona intimamente com o significado do luxo para cada um. Nesse sentido, seja pela via das influências culturais européias e americanas, seja motivado pelas facilidades de compra e crédito ou pela ampla difusão e forte cobertura da mídia e publicidade em torno desse mercado, o fato é que o luxo habita os mais profundos desejos, e o seu uso é cada vez mais presente na realidade (ou nas aspirações) da classe média brasileira. Esse segmento da população busca produtos de qualidade, que traduzam status e ascensão social e se tornaram, assim, o novo consumidor dos produtos de luxo.

Se é verdade que este novo usuário é fruto do desenvolvimento e da oferta de novas formas de consumo, também não é menos verdade que essas formas se vendem porque vêm de encontro aos desejos e expectativas latentes desse consumidor. Além disso, no Brasil, o sistema peculiar de crédito e o recurso do parcelamento facilitam o acesso da classe média aos produtos mais caros, e, consequentemente, impulsionam o seu consumo. A questão é: num país de consumidores impulsivos por excelência, o acesso generalizado ao crédito e a multiplicação dos meios de comunicação contribuíram para uma mudança radical nos hábitos de compra, gerando um encantamento geral e atração pelos bens superiores. Afinal, como explicar o fato de que um instrumento que também é usado como símbolo de distinção, riqueza e poder tem sua força diluída em suaves prestações?

A chegada de novos consumidores a esse mercado acabou gerando também uma mudança no perfil de comportamento dos antigos consumidores que cada vez mais buscam um estilo de vida diferenciado, o chamado luxo “hedonista” ou sensorial. Para muitos deles, as práticas do luxo hoje são mais voltadas pelos cuidados preventivos, como, por exemplo, pela busca da saúde, da estética e do bem-estar emocional, que faz surgir uma gama de serviços, tais como spas, terapias detox, terapias holísticas etc., que respondem às necessidades de experiências sensoriais individualizadas, prazerosas e luxuosas. Para o consultor de mercado de Luxo, Francisco Campelo “Existem na verdade dois perfis do consumidor de luxo: um que conhece profundamente os produtos e serviços e os quer para satisfação pessoal, e o outro que quer o luxo para mostrar seu sucesso pessoal.”

A conclusão a que se chega é que como tudo na Pós-Modernidade, os consumidores contemporâneos parecem utilizar múltiplas formas de consumo de luxo, que obedecem a um encadeamento de significados e a diversas motivações. de qualquer modo, e seja qual for o padrão de comportamento, o consumo de produtos e serviços de luxo manifesta o desejo secular de distinção social.

Isabel Pires é Mestre em mercado de Luxo , Auditora Fiscal e Professora do ensino Universitário, leciona nas áreas
de Marketing e Comportamento de Consumidor. Publisher do blog glamour urbano (www.glamourbano.com)