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Moda local sem fronteiras

novembro 30, 2014 por InVoga - Nenhum Comentário

Em Nova York, a publicitária e blogueira cearense Rafa Eleutério se desafio a passar 30 dias só vestindo moda cearense.

Semana de Moda de Nova iorque. Um festival de mulheres bem vestidas, vindas de todo o mundo, circula pelas ruas e passarelas da cidade. A fotógra- fa cearense Rafa Eleutério, que viajou para cobrir o evento, também é alvo dos flashes por lá. O que chama a atenção, além da inseparável câmera, são os looks da publicitária, compostos apenas por peças produzidas em sua terra natal. Para reafirmar sua relação com produtores e marcas locais, Rafa lançou-se em um desafio: 30 dias de moda cearense. Com a viagem marca- da, seguiu adiante, mostrando para o mundo o nosso bo- rogodó fashion. Conta mais! Rafa Eleutério contou tudo para a gente sobre o projeto.

Como surgiu a ideia do projeto e quando ele começou?
Eu comecei a me questionar por que quando viajamos compramos tanto, principalmente roupas. E consegui identifi- car 3 pontos principais: o preço, a “exclusividade” e o acesso às tendências. Mas, atualmente, podemos encontrar na nossa cidade muitos estilistas e desig- ners criativos e cheios de boas ideias. Muitas vezes, através dos trabalhos deles, conseguimos encontrar esses três pontos que vamos buscar tão longe.

Como foi a receptividade das pessoas de outros lugares?
Todos se encantaram pelo trabalho manual das peças que usei. A blusa de renda filé do mercado central foi a que provocou mais olhares curiosos e registros de portais de moda.

Qual foi o seu look preferido?
O look que usei no primeiro dia foi um dos que eu estava mais segura e o que teve maior repercussão. Tenho um carinho grande por ele, afinal a peça do topo é do mercado central e a calça é de uma estilista por quem tenho grande admiração. Mesmo eu tendo deixado claro no início do projeto que os acessórios e sapatos eu continuaria a usar de outros lugares (caso contrário inviabilizaria financeiramente o projeto para mim), o chapéu que usei é da JomaraCid. Ela é uma das poucas chapeleiras que temos no Brasil, e mora aí na nossa cidade.

A gente sabe que o brasileiro tende a valorizar muito o que é de fora. o inverso também acontece?
Na verdade, tenho a impressão de que o desconhecido sempre acaba por despertar curiosidade e, muitas vezes, o desejo.

Quais foram o maior aprendizado e o maior desafio do projeto?
O maior aprendizado foi ter a oportunidade de refletir sobre como a roupa chega até o nosso guarda roupa. Pensar que temos muitas marcas no nosso estado que produzem com ética e com muita dedicação ao que fazem. Entender que valorizar o que é nosso nos faz cres- cer cada vez mais. O maior de- safio foi ver o meu guarda roupa reduzir a um terço do que ele era e ao viajar não comprar ne- nhuma peça de roupa. Mas sinto que o esforço foi tão válido e tão pequeno, tendo em vista a grandeza que é valorizar o que é nosso, que penso em estender esse projeto por mais tempo.

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