A CASA É DELE

JADER ALMEIDA PARA A #INVOGA34

Quando pequeno, ele ainda não sabia como, mas Jader Almeida sempre sonhou em expressar seu talento nato para projetar através das formas e dos desenhos. O catarinense, que faz a linguagem do design de móveis brasileiro ser compreendida em diversos idiomas, consagrou seu trabalho mundialmente com um estilo silencioso, mas que causa muito barulho por onde passa.

Você chegou a pensar em ser estilista ou engenheiro. Quando percebeu que, na verdade, o que realmente queria ser era designer?

Esse meu discurso está relacionado às recorrentes perguntas que pais e professores fazem às crianças (ao menos faziam quando eu era uma criança). Na verdade, eu tinha uma ideia vaga do que de fato eram tais profissões. Na minha ingenuidade, todas essas “profissões” representavam a mim o ato de “desenhar”, ou seja, o que sempre almejei: algum ofício em que “projetar” estivesse presente, e o design e a arquitetura respondem exatamente a estas expectativas.

Antes de ingressar na faculdade de arquitetura, você já estava inserido na cadeia produtiva. Como essa iniciação, primeiramente na prática, te ajudou a ser o profissional que você é hoje?

Em tudo! Primeiramente, quando se vivencia na prática algo que se estuda, tudo fica mais claro e compreensível. Acredito que isso dá maior contundência para a teoria estudada.

Você é considerado pela crítica especializada como um dos maiores representantes do design nacional no mercado internacional. Como você absorve esse reconhecimento?

Claro que é bom receber elogios, e é ainda melhor quando eles partem de críticos. Em conjunto com a SOLLOS, participo ativamente a cada ano de eventos, exposições e avanço sempre um “passo” no competitivo mercado global. Hoje, estamos em importantes players de diversas capitais mundiais, como: Londres, Sidney, Beirut, Lisboa, Miami, Aukland, Tokyo, Chicago, Taiwan etc, e isso só aumenta o compromisso e a responsabilidade.

Desde 2013 você integra o time de designers da alemã ClassiCon. O contato com o mercado internacional aconteceu naturalmente ou você tinha isso como meta profissional?

Ambos. Claro que o mercado internacional sempre foi meta, mas como tudo e em todas as profissões, as coisas acontecem quando temos um mínimo de preparo e algo para oferecer. Esse “contato” foi e é muito importante, já que meus produtos sob a marca estão em mais de 80 pontos de venda em todo o mundo.

Estar no mercado há mais de vinte anos e conseguir manter o seu trabalho relevante é um grande desafio. Qual o “segredo” do seu sucesso?

É difícil falar um segredo, até porque não há uma fórmula específica, e cada um faz seu próprio caminho. Minhas escolhas determinam como serão os próximos anos, e o que acredito é que manter uma linguagem, apurar a técnica e estar afinado ao mundo é fundamental.

Agora uma clássica: onde e em que você busca inspiração?

Como resposta a essa clássica pergunta, algo que é como um clichê: em tudo! E isso é a mais pura realidade. A inspiração vem do mundo, das coisas, das pessoas etc, etc…

Como você define sua criação e personalidade estética? Muda a cada peça/coleção ou sempre existem aspectos criativos comuns?

Minha produção tem uma linguagem muito clara. Desde os primeiros produtos até os últimos é perceptível um traço. Com o passar do tempo, “camadas” são adicionadas, mas a essência é clara e permanece.

Onde se encontra a brasilidade na sua criação e onde percebemos os aspectos cosmopolitas?

Em tudo! Sou brasileiro, e isso basta para haver brasilidade. Como traço cultural, somos plurais e com uma energia criativa incrível. Meus produtos revelam isso em muitos aspectos. Cosmopolita está no design que é para todas as culturas. Costumo dizer que o bom design se comunica em qualquer língua.

Com o cenário a todo vapor, existe tempo para a experimentação e maturação ou o mercado exige cada vez mais velocidade na criação?

Vivemos em um mundo ávido por novidades. Mas, já há algum tempo eu venho lançando poucos produtos a cada ano, porém bons produtos! Peças que tenham a capacidade de suportar a passagem do tempo tanto no aspecto físico quanto estético.

O design nacional nunca esteve tão em alta, tanto dentro do país quanto fora. Como você avalia esse momento do mercado brasileiro e como enxerga o futuro?

A globalização e o mundo cada vez mais conectado proporcionam maior visibilidade. Design está relacionado à indústria, tecnologia, infraestrutura etc. E, hoje, sabemos das condicionantes que o país tem acerca disso. Se houver um incremento nesses aspectos teremos plenas condições de ser referência

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