SHANTAL ABREU SÓ QUER PAZ

Shantal Abreu abre o livro de sua vida para nossa #invoga34

Ativa, sim, mas, principalmente, equilibrada. É dessa forma, aliás – nem 8, nem 80 -, que Shantal Abreu define o seu lifestyle. “Mas nem sempre foi assim”, confessa, falando sobre os tempos em que era workahoolic assumida. Tudo mudou quando ela decidiu cursar Gastronomia e, em uma dessas aventuras na cozinha, teve seu corpo, literalmente, coberto de chamas. A verdade é que, até hoje, sua vida vem sendo marcada por uma sucessão de mudanças. Algumas boas, outras nem tanto. Todas, porém, motivo de aprendizado e encaradas de frente por essa mulher que extrai sempre o lado bom e, venha o que vier, é chapa quente!

 

 

Recentemente, você fez um post falando que sair da zona de conforto é importante e recompensador. Você sempre procura fazer isso? De que formas?

Eu aplico isso em várias áreas da minha vida, tanto no esporte, quanto nos aspectos profissional, pessoal… Inclusive, um dos grandes desafios que tive agora que me tirou da zona de conforto foi fazer um ciclo de palestras no Sebrae Bahia – a primeira para 750 pessoas, e a segunda para 100 empresários, com duração de quatro horas. Falar em público nunca é fácil, né? Mas, com essa experiência, só reafirmei para mim mesma quanto é bom quando a gente consegue passar por cima do nervosismo, vencer a insegurança, falar com propriedade.

Na mesma publicação, você falava que o triatlon é o seu ponto fraco. Por quê?

Na verdade, não é nem o triatlon em si que é o meu ponto fraco. Todas as modalidades (natação, bike ou corrida) são muito desafiadoras para mim, porque em cada uma delas você faz o mesmo movimento repetidas vezes, o que faz com que você tenha que ficar ali sozinha com a sua cabeça, com os seus pensamentos. Eu fico entediada muito rápido, então, realmente acredito que trabalhar a cabeça acabe sendo a minha maior dificuldade nesses esportes.

Quando chegou a hora de fazer faculdade, você optou por gastronomia. Como essa experiência mudou sua relação com os alimentos?

Eu ia me formar em Gastronomia. Na verdade, só faltou o diploma mesmo, porque com o acidente que sofri acabei não conseguindo concluir o curso. Acho que o que carrego hoje que considero mais importante até do que a questão de aprender as técnicas para cozinhar foi, sem dúvidas, a noção básica de nutrição que eu adquiri na faculdade, que hoje me proporciona ter uma vida mais saudável com mais facilidade. Inclusive, acredito que a nutrição básica deveria ser uma disciplina obrigatória em todas as escolas. Eu vejo que para mim é muito fácil distinguir o que é saudável e o que não é, mas para a maioria das pessoas não. Observo pais dando biscoitos para crianças, com açúcar e farinha refinada, e falando: se alimenta, filho! Isso não é alimento. Para alimentar, você precisa de nutrientes. Então, essa foi a principal mudança de visão minha com a comida.

Durante a faculdade, em um evento, você sofreu um acidente, onde acabou com o corpo, literalmente, em chamas. O que aconteceu e como isso mudou a sua vida?

A chapa gás que eu estava trabalhando explodiu, e meu corpo inteiro pegou fogo por um minuto, mas acabou queimando apenas 15% do corpo e o pulmão, porque a roupa de chef de cozinha segura o fogo justamente por esse período. Fiquei quase um mês internada, fiz cinco cirurgias com anestesia geral, de raspagem do corpo, e quase morri por conta da queimadura no pulmão, por se tratar de órgão que você não opera, nem toma remédio para se curar… Dizem, inclusive, que o maior índice de morte por queimadura é por conta do pulmão. E a maior lição que eu tirei disso tudo foi dar muito valor à minha vida e resolver várias questões não resolvidas antes. Nesse tempo no hospital, conseguir pensar e repensar a minha vida, para ver no que eu precisava melhorar como ser humano. Eu acredito que nada acontece por acaso, que toda dificuldade que a gente passa tem um propósito de aprendizado, e eu consegui aprender lições maravilhosas, que mudaram completamente o rumo da minha vida. Hoje, agradeço a Deus por ter passado por esse acidente, por mais doloroso que tenha sido. Se tivesse que passar por tudo de novo para aprender o tanto de coisa que aprendi, eu passaria!

Falando de trabalho, foram quase 7 anos na Schutz, entre marketing e RP. Quando saiu de lá, você entrou como sócia na Club Life To Go, empresa que levanta a bandeira da comida fresca e saudável, e continua até hoje. Como tem sido a experiência de trabalhar com algo que tem tanto a ver com o seu estilo de vida?

Eu entrei para a sociedade do Club Life To Go assim que saí da Schutz, sem ativo de dinheiro. O meu ativo foi o meu know-how de marketing, de relacionamento. O proprietário me procurou querendo que eu fizesse um post, e eu falei: não quero fazer um post! O projeto é muito bom, e eu quero ser sócia, mas não tenho dinheiro para investir. Como a gente vai fazer? Foi aí que negociamos toda a estratégia, o que seria meu job description e, assim, ganhei uma porcentagem da marca, mas sem entrar no contrato social. Tinha um contrato de dois anos, segundo o qual eu exerceria o marketing e o relacionamento da marca, além da divulgação. Depois de um tempo, já com a vida financeira mais estabelecida, senti necessidade de investir dinheiro em algum negócio que fosse diferente do que eu fazia até então, e aí eu optei por comprar uma franquia. Mas, se eu fizesse isso, teria um conflito de interesses por conta do trabalho como influencer. Foi aí que optei por sair e entrar como franqueada. Hoje, tenho duas franquias.

E, se pudesse, como você definiria seu lifestyle?

Sempre que pulo sete ondinhas, o meu desejo se resume a um só: o de ter uma vida equilibrada. Acho que ter equilíbrio é muito importante, né? Não ter nada de mais, nem nada de menos. Então, é assim que defino meu lifestyle. Sou uma menina que ama esportes, mas não vivo disso, nem só para isso. Eu cuido da minha saúde, do meu corpo, mas não sou neurótica. Hoje, consigo trabalhar bastante, mas não de forma surreal como eu trabalhava antes. Acho que antes eu vivia para trabalhar, em vez de trabalhar para viver. Hoje, inverteu, e eu possuo uma relação muito mais saudável com o trabalho. Gosto de tomar meu drink, mas gosto também de treinar no dia seguinte. Não me privo de um doce se eu tô a fim, não sou 100% focada em dieta. Acho que é isso. É um lifestyle equilibrado, mas que, por uma questão de gosto, mantenho uma vida ativa.

 
E como está a vida de casada? Está dando para conciliar tudo?

Na verdade, aconteceram várias mudanças ao mesmo tempo. Eu casei, me mudei, fui morar sozinha, depois com o Matheus. Saí do meu emprego, que era uma coisa muito certeira – uma empresa com capital aberto e tudo mais -, onde fiquei por sete anos, aí fui trabalhar por conta própria, depois abri dois negócios. Mudei de casa, adotei um cachorro, engravidei, perdi… Enfim, foram muitas mudanças pra conciliar em pouco tempo, embora todas elas tenham sido muito enriquecedoras. A gente sempre consegue conciliar tudo, né? Sabe aquele ditado “Deus não dá uma cruz maior do que a que a gente aguenta”? É bem isso. Acredito que é só ter disposição para encarar tudo. E quanto ao casamento, ele mais me ajuda do que ocupa meu tempo. Meu marido é muito legal, parceiro. Ele faz as minhas fotos, vai ao meu restaurante e me ajuda a divulgar, me dá ideias. Temos um relacionamento muito construtivo, no qual ele mais me ajuda a conciliar tudo do que é mais um peso para organizar.

Ao contrário de muita gente, vocês optaram por uma cerimônia mais simples e intimista, com poucos convidados e lista de presentes “do bem” (o casal pediu doações para a Instituição Espírita Seara Bendita). Esse era o desejo dos dois? Em algum momento se sentiram cobrados para fazer algo maior, menos low profile?

Honestamente, o casamento foi do jeitinho que a gente queria. A princípio a gente queria fazer uma festa maior, mas não era algo que eu sonhava em fazer, e também não é algo que eu gastaria o meu dinheiro para fazer. Prefiro gastar mil vezes com a minha casa ou com uma viagem a gastar com uma festa que vai durar um dia só. A gente é bem pé no chão com essa questão financeira. Quanto à decisão de pedir que os presentes fossem as doações, acredito que a gente ganhe tanta coisa como digital influencer que seria muita hipocrisia da minha parte querer ganhar mais ainda. Para mim, não fazia sentido. Prefiro ajudar e ter a consciência tranquila de que estou proporcionando mais uma coisa boa desse momento tão especial da minha vida.

Com todas essas experiências desde tão cedo, deu para perceber que você não para, não é? Quais são os próximos passos?
Em relação ao trabalho, vou abrir uma marca com a minha irmã e a minha mãe, mas conto com maiores detalhes mais para frente. Posso adiantar que vai ser muito legal, porque vai juntar um pouco da expertise de cada uma. Também acho que vai ser interessante por ser um trabalho em família, que são pessoas com quem podemos contar e em quem podemos confiar sempre. E, apesar de ser um desafio separar vida profissional e pessoal, acho que a confiança deixa tudo mais leve. Na vida pessoal, eu e o Matheus estamos mudando para uma casa maior para os nossos cachorros poderem ficar soltos, terem mais espaço. Mas isso traz também uma grande responsabilidade. Casa maior, aluguel mais caro (Risos). Então, temos que trabalhar bastante pela frente.

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