A REVOLUÇÃO DE MÔNICA

Mônica Salgado abre as portas de sua casa para receber a inVoga e contar todas as novidades

Título melhor para essa matéria não poderia haver, afinal, ela não só revolucionou o mercado editorial brasileiro criando um novo jeito de fazer revista, como, há alguns meses, decidiu virar a página de um capítulo importante da sua trajetória profissional. Da redação da Glamour, onde se construiu como uma das mulheres mais influentes do Brasil, para as telinhas do Vídeo Show, Mônica Salgado está pronta para escrever mais páginas (literalmente) de um enredo onde reviravoltas, ela garante, não vão faltar.

Você é representante (capitã) de um time de mulheres que se dividem entre vários papéis para conseguir dar conta da carreira, dos filhos, da vida pessoal, do bem-estar etc. Como você faz para conseguir manter esse equilíbrio e não se sentir em débito com nenhuma das suas “personas”?

Olha, é muito caótico, até porque eu não sou do tipo que “deixo a vida me levar”. Mas acredito que temos que viver um dia de cada vez, senão você pira. Então se você fica ansiosa pensando sobre o que tem que resolver no próximo mês você acaba deixando de fazer bem feito o agora. Meu lema é: só por hoje. De qualquer maneira, nem me sinto no direito de reclamar, porque sei que existem mulheres que no fim de um dia de trabalho ainda vão cuidar da casa, fazer comida e eu, graças a Deus, tenho muita ajuda nesse aspecto.

Muito se especulou sobre sua saída da Glamour, mas esse foi um dos motivos que te fez desligar do cargo de diretora de redação? Um dos lados da balança estava pesando mais?

Foram muitos motivos, porque uma decisão dessa você não toma de uma maneira intempestiva. Eu vinha trabalhando ela dentro de mim há um ano

e foi uma conjunção de fatores, mas acredito que o principal deles tenha sido a vontade que tenho de fazer muitas outras coisas, como escrever um livro, trabalhar com TV, como está acontecendo agora com o Vídeo Show. Então depois de 10 anos me doando ao mercado editorial, entre Vogue e Glamour, decidi que queria começar novos projetos. Mas foi tudo muito conversado, tranquilo, planejado, e nós logo começamos a organizar a minha sucessão. Por mais que eu tenha comunicado ao mercado e à equipe um mês antes, minha s aída não aconteceu de maneira abrupta. Eu comuniquei à direção com seis meses de antecedência.

Como está sendo trabalhar em um dos programas mais clássicos da TV brasileira, o Vídeo Show? Como você recebeu esse convite e por que topou aceitar?

Na verdade eu fui atrás! Mandei um whatsapp para a diretora do programa, que eu já conhecia porque eles gravavam muito making off das capas da Glamour, apresentando uma proposta e, para a minha surpresa, ela amou. Daí gravamos alguns pilotos, apresentamos o quadro para a direção, eles aprovaram e deu certo. Acho que temos que buscar pelo que queremos. Comigo nao tem essa de esperar as coisas acontecerem.

A visibilidade conquistada por meio do trabalho desenvolvido na Glamour acabou tornando-a naturalmente uma digital influencer. Você se considera uma? Por quê?

Apesar de estar desgastado, realmente não teria um termo melhor para definir a pessoa que tem uma voz relevante nas redes sociais, então eu me considero, sim, Digital Influencer. Todo mundo acha que foi planejado ou que eu preparei o terreno, mas, na verdade, essa atitude de mostrar a cara, de estar à frente, foi algo tão orgânico e natural, que toda a equipe se trabalhou nesse sentido. Nao era: – hoje eu vou brilhar e aparecer! Era: – editora de beleza, seja uma autoridade em beleza porque eu quero que as pessoas te reconheçam. Então isso foi acontecendo, eu fui tendo vontade de falar de coisas da minha vida pessoal e dividir experiências que na revista não cabiam – também muito pela minha carta do editor – e essa história foi se construindo.

O nome Mônica Salgado se tornou muito forte e você acabou se tornando uma espécie de marca, devido à sua credibilidade, ao profissionalismo e à sua visão publicitária. Como você aprendeu a investir em si mesma e como analisa a questão do marketing pessoal?

Eu não aprendi isso na faculdade. Na verdade eu fiz PUC, que é uma faculdade bem tradicional e acredito que o ponto da virada foi quando eu trabalhei no marketing da Arezzo. Lá eu aprendi muito sobre varejo com o Anderson Birman, porque a paixão dele era contagiante, e então comecei a entender como funcionam os diversos tipos de comunicação que permeiam esse universo – tanto em relação ao franqueado, quanto ao consumidor final e time de vendas. Nesse tempo, eu fiz um MBA em marketing de moda, e aquilo abriu muito a minha cabeça sobre perceber que tudo que nos circunda é uma marca: o produto, a empresa, eu, assim como marcas também são pessoa. A partir disso eu passei a entender que é importante compreender que, por trás das marcas – assim como das revistas -, existem pessoas que fazem um trabalho, e dar um rosto a essas pessoas se tornou cada vez mais essencial, principalmente depois do legado deixado pelas blogueiras e redes sociais. O mundo e o mercado precisam dessa interação pessoa com pessoa, pois isso gera mais engajamento e resposta do público/consumidor.

Muito se fala sobre a famigerada crise do mercado editorial, e você acaba de se desvincular de uma publicação. Qual a sua leitura acerca desse momento da mídias impressas? Ao seu olhar, elas ainda se fazem relevantes e pertinentes, mesmo com a invasão do digital?

É uma crise evidente, e não temos como negar. Os modelos antigos já não servem mais, então o que as editoras têm feito é justamente trabalhar o fator marca dos seus anunciantes, porque, uma vez que você constrói uma marca forte, você consegue gerar conteúdo e fonte de receita de várias maneiras. Mas acho que estamos em um caminho de errar e acertar, porque não tem uma receita certa.

Você é muito dinâmica e fica até difícil perguntar isso, mas, como você se imagina daqui a cinco anos? Se eu perguntasse isso há dois anos, a resposta seria diferente da de hoje?

Sim, seria completamente diferente, mas não dá para ser exatamente ou fazer um prognóstico porque os meios de comunicação mudam muito. Não tem como saber em quais meios a gente vai atuar. Como estará a TV aberta daqui a dez anos? Não se sabe. Eu só sei que eu quero ser produtora de conteúdo autoral, de coisas que eu considero relevantes, de experiências minhas que eu acho que posso compartilhar com as pessoas.

MÔNI NA REAL

Do que você não vai sentir falta de quando trabalhava na Glamour?

De acabar o mês, achar que a missão está cumprida e, na verdade, já estar atrasada para a próxima edição.

O que não te representa?

Qualquer preconceito, mas, acima de tudo, o machismo.

Qual a parte chata de ser Mônica Salgado?

Eu sou muito explosiva, mas estou trabalhando muito nisso.

O que te estressa na maternidade?

O filho 24h por dia chamando “mamãe, mamãe, mamãe!”

Qual a sua imperfeição que você luta contra?

Eu não sei lidar com rejeição.

E qual a que mais irrita o Afonso?

A bagunça.

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