FERNANDA SOUZA PARA INVOGA 33

Ela soltou o riso e o verbo para nossa edição 33

 

Não, não foi para sua digníssima esposa que Thiaguinho compôs a musica Ousadia e Alegria, mas bem que poderia ter sido. Afinal, se um dos sobrenomes da Fernanda é Souza, o outro deveria ser espontaneidade. Apesar dos 1,58 m de altura, é assim que ela preenche todos os espaços; no estúdio, no palco, na TV, na tela do celular… De protagonista mirim da novela mais adorada dos anos 1990 à influencer e apresentadora de TV, essa geminiana ligada em astrologia – e nos 220 volts, só pode – ousou ao se mostrar “gente como a gente” desde sempre (o snap apenas deu uma forcinha) e, hoje, depois de muito perrengue, garante que o segredo para 28 anos de sucesso sem surtar é um só: bom humor.

 

 

Você sempre foi assim? É realmente da tua essência ou você busca isso? 

Na verdade, eu não gosto muito de mim quando eu tô com mau humor. Eu mesma não me aturo. Eu gosto de viver feliz, sorrindo, de me aproximar de pessoas que me façam sorrir. Meus melhores amigos são as pessoas mais engraçadas que eu conheço. Eu gosto de dar risada, falar besteira, de me divertir, então eu fico buscando isso. Mas também, quando estou de mau humor, me permito estar de mau humor. Quando eu tô de luto, triste… Me permito. Porque senão você fica mascarando isso, e ninguém (inclusive, euzinha) é feliz o tempo inteiro.

Você concorda com a Rita Lee quando ela diz que alegria alheia incomoda?

Cara, eu acho que depende da pessoa. Tem gente que pode se incomodar e tem gente que não. Eu acredito que tudo que você bota pra fora volta para você. Por isso que eu quero sempre estar de bom humor, mas também me permitindo ter momentos em que fico mais reservada. Sou uma pessoa normal, tem momentos que estou mais alegre, outros nem tanto. Por exemplo, ninguém vai ligar o stories e falar “oi, tudo bem?” de cara fechada. Você quer transmitir uma coisa boa para as pessoas.

Eu gosto de dar risada, falar besteira, de me divertir, então eu fico buscando isso. Mas também, quando estou de mau humor, me permito estar de mau humor. Quando eu tô de luto, triste… Me permito. Porque senão você fica mascarando isso, e ninguém (inclusive, euzinha) é feliz o tempo inteiro

Você é daquelas que, se alguém disser “Vai, Fernandinha!”, quando vê você já está é voltando, né? Quanta disposição! 

Geminiana, né? Eu sou bem geminiana! De verdade, eu acho que isso é uma característica do signo, essa rapidez, essa energia. Tem momentos que eu sou muito calma, até demais. Por exemplo, eu super durmo, durmo muito! Então, eu acho que tenho uma animação porque sou uma pessoa que dorme. Aí, também quando acorda… Durmo 10 horas linda, e o Tiago me olha com uma inveja! Aquele olhar tipo “como você consegue dormir a vida inteira?”

A estreia precoce, aos 13, e a exposição constante na mídia até hoje certamente trouxe muitos frutos, mas também muita cobrança. Já pegou pilha com alguma, especificamente? 

Não pego pilha, sabe por quê? Volto a falar do signo, porque eu gosto muito de astrologia e, nela, encontro muitas respostas sobre a minha personalidade. O fato de eu ser muito desapegada, não pegar pilha, nada me estressa muito. Geminiano é mais racional, ele é muito ar. Óbvio que eu também fico chateada, mas não é sempre. Então, eu não pego muita pilha, não. Acho que é um costume de desapegar para o que os outros estão falando.

E como foi isso? Porque você está na TV desde de muita nova, com tanta exposição. Como foi para você? E quando você adquiriu essa maturidade? 

Eu não lembro um dia que não foi assim. Quando você nasce nesse meio, vai se acostumando. É a sua realidade. Não que eu me sinta a pessoa mais famosa desde que eu nasci, mas eu fui acostumando com os ônus e os bônus que a minha profissão tem. Então, nada no fundo me incomoda de verdade, sabe? Acho que tem coisas piores na vida para a gente se incomodar, como doença, perder alguém que você ama… O resto a gente vai levando a vida!

Você acabou de completar 33 anos, e já possui 28 anos de carreira. Essa matemática te assusta?
Comecei a trabalhar com cinco. Quando você é criança, você não tá trabalhando construindo uma carreira. Você não tem consciência disso…  Você tá ali vivendo, aprendendo e, um dia, você se apaixona. Acho que o momento que eu pensei “caramba, é isso que eu quero da vida” foi depois de Chiquititas… Acho que foi quando eu me entendi como atriz.

E em algum momento você chegou a pensar “não sei se quero isso”? Já rolou esse conflito?
Não. Não estive sempre 100% segura, mas estava gostando de viver aquilo, podia estar difícil, mas tava me ensinando alguma coisa. Sempre muito apaixonada pelo que faço.

E essa vida de “influencer”? 
Não encaro isso como uma profissão. Eu adoro a internet para buscar informação das pessoas, de um tipo de cabelo, uma roupa, alguém indica um Instagram ou uma loja que eu gosto. O que eu faço é também passar um pouco isso para as pessoas, porque eu sei que elas gostam como eu gosto. Eu sou igual a todo mundo, oferecendo um pouco daquilo. Não que eu me sinta numa posição de apenas influenciadora e não influenciada. Eu sou muito mais influenciada do que influencio, na verdade! É cada like que eu dou, cada print, cada pasta de referências que eu tenho, que vocês nem imaginam.

Você sempre seguiu uma linha meio espontânea/sem filtro. Qual foi a diferença depois do Snapchat?
Por lá, a pessoa te conhece melhor. Tudo bem que os vídeos têm só 10 segundos, você escolhe o que vai falar, mas, querendo ou não, você tá ali, vivona, falando com as pessoas. Isso fez diferença, aumentou o número de pessoas que tinham vontade de ir ver a peça. Essa coisa da “tu é minha amiga e nem sabe” eu acho superfofo, porque eu me sinto igual a elas. Eu interajo, respondo os comentários… É difícil responder tudo, mas boa parte das minhas fotos eu respondo, tento curtir todas as fotos das pessoas que vão na peça, atendo todo mundo que vai na peça no final… Eu até tava fazendo as contas. “Meu Passado não me condena” tem uns quatro anos, umas 400 mil pessoas já viram, eu devo ter atendido, mais ou menos, ao longo desse tempo, umas 80 mil pessoas, tirando foto com todo mundo, fazendo selfie. Não vejo problema nenhum em fazer isso, faço, vou na maior disposição e fico superpreocupada com o último da fila, porque eu sei que, às vezes, demora e a pessoa vai pegar um ônibus, eu fico com o coração na mão de estar tarde, mas faço.

E como foi que surgiu a ideia da peça, que é um mix de stand up biográfico com um confessionário?
Na verdade, foi um mix de sentimentos. A intenção nunca foi falar da minha vida, mas contar que na nossa profissão a gente passa por vários perrengues, tem muitos momentos difíceis, não é tão glamouroso quanto parece. É uma lente de aumento nos bastidores. Só que essas histórias poderiam ter acontecido comigo ou com qualquer outro ator ou atriz. Exemplifico com as minhas porque foram as que eu vivi para também não ficar expondo os outros. Mas, surgiu da vontade de falar sobre isso e tá indo super bem, graças a Deus.

Você está no teatro, nas redes sociais e, agora, também está na TV como apresentadora… 
Tudo isso é a comunicação. Eu gosto de me comunicar. Eu acho que a gente tem que se comunicar da maneira que a gente é. Não adianta fazer tipo e não ser a sua verdade, porque as pessoas reconhecem o que é verdadeiro. As pessoas sentem. Eu faço isso na legenda, no Instagram, eu não posto só foto linda, eu gosto de falar umas besteiras na legenda, eu gosto de postar uma foto mais ou menos, não me preocupo em “sujar” o feed. Eu não sou perfeita, por que o meu feed seria? Eu sou humana, eu erro, tenho problema, defeito, como todo mundo. Quando você assume uma postura de identificação com as pessoas, ela acontece. Eu quero que as pessoas entendam que eu sou tão normal quanto elas pensam. Não quero me colocar numa condição de perfeita, de uma pele sem poros, não tenho uma espinha, sou maravilhosa, estou sempre com um corpo incrível, viajo e não como… eu não sou isso. Eu gosto desse tipo de gente. Na verdade, o que eu quero ser é também aquilo que eu gosto. Gosto de pessoas verdadeiras, tipo Juliana Paes. A mesma que você vê na TV é a que você encontra, é a mesma risada, ela não tá nem aí. Não existe uma pose, não existe “quero ser uma diva”, existe um ser humano e eu gosto de ser humano. Mas, não julgo quem é diva também. Porque acho que tem espaço para todo mundo!

Não quero me colocar numa condição de perfeita, de uma pele sem poros, não tenho uma espinha, sou maravilhosa, estou sempre com um corpo incrível, viajo e não como… eu não sou isso.

E o mais legal é que, com o Vai, Fernandinha, não existe a personagem “apresentadora”. É bem você, não é? Conta um pouquinho sobre a nova temporada, que, por conta do sucesso da primeira, ganhou mais episódios e tudo! 
Nessa segunda temporada, que começou dia 12 de junho, nós fizemos 24 episódios, diferente da primeira, que foram 15. Dessa vez, temos um mês inteiro de segunda a sábado. Você só se livra de mim no domingo e se quiser, porque pode assistir online também. Essa temporada tá muito divertida, como a outra, até porque a gente entendeu o espírito do programa, então a gente tem muitas brincadeiras. É tudo muito informal. Meu chefe falou “mantém aquilo que você é na rede social” e eu falei “mas, é o que eu sou mesmo”. A gente está sempre fazendo de tudo para deixar o convidado da maneira mais confortável, mais divertido, sem falar de polêmica, e o que aconteceu nessa temporada é que as pessoas foram se abrindo tanto, que a gente tem momentos emocionantes. A gente tem momentos das pessoas se entregarem e falarem coisas que nunca falaram, e eu fico naquela situação que já vai escorrendo uma lágrima. E eu também deixo chorar porque sou dessas. A gente foi embarcando, e quem assistir a essa temporada, não vai só rir, mas também vai terminar o programa falando “que mensagem bonita essa pessoa passou”. Fazer só rir é legal, mas se você puder dar mais alguma coisa para as pessoas também é legal. E o que eu mais quero é que o convidado se divirta, porque quando ele se diverte, eu me divirto, e o público também se diverte.

Texto: Lara Costa
Fotos: Danilo Borges
Stylist: Dudu Farias
Make: Renato Mardonis
Direção: Vinicius Machado
Coordenação: Flávia Brunetti

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